Sexta-feira, 5 de Janeiro de 2007

Negócios & Estratégia

Artigo publicado no Jornal de Negócios - suplemento

jNeo comenta: Mais uma vez vamos ver se a velha máxima de que cada povo só tem o que merece se confirma (o desporto, os gestores, os politicos a saúde...). Espero que desta vez os gestores mostrem com serviço o seu peso em dinheiro...


Negócios & Estratégia:

Acabámos de sair de um ciclo de crescimento económico que durou cerca de cinco anos. Os mercados estiveram receptivos, houve dinheiro a circular em grande velocidade, fruto de um consumo desenfreado e de uma apetência por tudo o que era novo.
A especulação e o dinheiro fácil ajudaram
a criar a ilusão de riqueza que levou as famílias a endividarem-se acima do que seria racional.
As empresas vendiam e facturavam sem bem saberem como.
E este era o grande segredo, guardado a sete chaves pelos gestores de muitas empresas. Exactamente! O grande segredo era que muitos
gestores não sabiam porque razão as coisas corriam bem.
E é curioso acompanhar como a mentalidade desses gestores foi evoluindo ao longo da última década. Numa primeira fase não sabiam porque
lhes corriam os negócios tão bem, mas calavam-se, aceitando os parabéns, muitas vezes transformados em bónus chorudos, com um sorriso de falsa modéstia na face.
Depois os resultados continuaram a aparecer, claramente fruto de uma conjuntura externa muito favorável e os nossos heróis começaram a
convencer-se que, se calhar, a implementação das estratégias que não implementavam porque não as tinham, eram as responsáveis por
esse sucesso.
Ainda por cima as suas contas bancárias continuavam a crescer com «stock options», «phantom shares», «fringes» variados, mais-valias, despesas de representação, bónus, prémios extraordinários e cartões de crédito, por cima de salários principescos.
Era ver os nossos gestores a pressionarem os comerciais para darem mais, sem saber bem com que fundamento e os comerciais a dizerem que os seus números já eram muito puxados, mas também sem saberem porquê. É nesta
altura, mais ou menos ao fim de cinco anos de orçamentos e planos ultrapassados, que os gestores das nossas empresas começam a aceitar que são uns génios e que se o mundo existia a eles se devia.
É nesta fase que se verifica um fenómeno interessante de analisar.
Convencidos que são o centro do mundo, com o ego do tamanho de uma abóbora transmontana, começam a tornar-se prepotentes, autocráticos e arrogantes.
Compram carros de luxo, tornam a satisfação das suas birras o objectivo da empresa e passam a considerar os clientes uns chatos
(«O cliente é o nosso maior inimigo!» - dizia grandeloquente um DG meu conhecido).
Uma praga de pequenos ditadores sem escrúpulos nasce com que de geração espontânea, espezinhando os subordinados e humilhando os que estão abaixo.
Passam a usar a técnica de gestão de recursos humanos mais primitiva e desajustada que alguma vez se inventou e que parece que já nem para os cavalos resulta: a da cenoura e do chicote.
Sabem como é? Põe-se uma cenoura (ou um bónus) na ponta de um pau e depois usa-se o chicote. Claro que à medida que se avança, a cenoura (ou bónus) também avança e a vítima aguenta o chicote, as faltas de respeito e as humilhações com o pensamento nas contas que se poderão pagar quando se apanhar a cenoura. Esta técnica, usada sem parcimónia pelos
nossos gestores, parte do pressuposto segundo o qual apenas quem maneja o pau é esperto.
Mas os resultados apareciam, os crescimentos eram na casa dos dois dígitos e os gestores continuavam cada vez mais convencidos que eram os obreiros do sucesso e que a sua técnica, acima descrita, era a melhor.
Recordo duas empresas geridas por estes gestores «neo yuppies», em que os colaboradores tinham comentários deste tipo: «Isto se vendesse sapatos já tinha falido» ou «Isto dá este dinheiro todo mal gerido, imaginem o que daria se fosse bem gerido!» Temos que concluir que todos viam que o rei ia nu
menos o próprio.
Estes, cegos com o «seu» sucesso compram varas cada vez mais compridas e
chicotes mais grossos, quer para por a cenoura mais longe, quer para dar no
lombo dos subordinados cada vez mais endividados e, por isso, cada vez mais
necessitados de cenouras.

Agora, e sem ainda se saber porquê, as coisas já não correm bem. Os crescimentos não acontecem, as estratégias que não tinham já não dão resultado. Os gestores começam a não dormir e andar ansiosos.
Sentem que têm que fazer qualquer coisa e vêem-se obrigados a tomar medidas.
E a primeira medida é despedir os mais velhos, os mais caros e os mais rezingões.
Aqui é interessante tomarmos consciência que a maioria dos gestores que hoje
estão no topo, tinham cerca de trinta anos quando esta longa fase de prosperidade teve início. Isto significa que não têm experiência de gestão em tempos de crise. Que não sabem lidar com vacas magras
.
A sua única
experiência de gestão é com crescimento constante. E qual é a sua primeira e genial medida? Despedir o que viveram situações de crise e podem ter aprendido alguma coisa com elas, isto é, os colegas mais velhos.

Perante o desconhecido e não querendo dar parte fraca, agem como qualquer menino mimado a quem não dão o brinquedo. Fazem birra a tornam-se agressivos.
É o que está a acontecer em muitas empresas onde se gastam fortunas em indemnizações para rescindir contratos de trabalho de
colaboradores capazes e produtivos.

Por isso acredito que chegou a hora da verdade. É agora que se vai ver quem sabe e quem não sabe gerir. Estou na plateia para ver quem tem sabedoria, criatividade, conhecimento e preparação para aguentar a crise e sair dela
vivo.
É agora que os «neo yuppies» vão ter a sua prova de fogo. Acabou o recreio, chegou a hora de mostrarem se valem ou não o que ganham.

Artur Fernandes
Artigo publicado no Jornal de Negócios - suplemento
Negócios & Estratégia


PS: Penso que em 2005

sinto-me:
publicado por Jneo às 11:24
link do post | comentar | favorito
|

.About me

.pesquisar

 

.Agosto 2008

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

.Posts recentes

. Este Blog está encerrado....

. Jogo de futebol Porto - B...

. Excesso de velocidade ? Q...

. Link BESTIAL!!!!...

. IKEA: Enlouqueça você mes...

. Aviso da faculdade de Ciê...

. António Barreto no Públic...

. QUEM ELEGE OS POLITICOS?

. Geração dos 30/40...

. Um piada bastante gira e ...

.Arquivos

. Agosto 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

.Links

blogs SAPO

.subscrever feeds