Terça-feira, 16 de Outubro de 2007

Precisa-se de matéria-prima para construir um País

 

Agradeço ao carissimo Friend António Brito a fantástica lembrança do país onde vivo.

 

Por favor, este post é para ler até ao fim!!...

 

Façam favor de ser felizes, de pensar mais no que poderemos fazer por este país e de deixar para trás a mesquinhez da feira das vaidades e do mal dizer..

 

O post:

 

Precisa-se de matéria prima para construir um País

 


Eduardo Prado Coelho -  in Públic

A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem como
Cavaco, Durão e Guterres. Agora dizemos que Sócrates não serve. E o que vier
depois de Sócrates também não servirá para nada. Por isso começo a suspeitar
que o problema não está no trapalhão que foi Santana Lopes ou na farsa que é
o Sócrates. O problema está em nós.
Nós como povo.
Nós como matéria-prima de um país.

Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre valorizada,
tanto ou mais do que o euro. Um país onde ficar rico da noite para o dia é
uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e
respeito aos demais.

Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser
vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nos passeios onde
se paga por um só jornal E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE
ESTÃO.

Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras particulares dos
seus empregados pouco honestos, que levam para casa, como se fosse correcto,
folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil para os
trabalhos de escola dos filhos ... e para eles mesmos.

Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque conseguiram
comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se defrauda a declaração de
IRS para não pagar ou pagar menos impostos.

Pertenço a um país onde a falta de pontualidade é um hábito.
Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano.
Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas
e depois reclamam do governo por não limpar os esgotos.
Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros.
Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que é
'muito chato ter que ler') e não há consciência nem memória política,
histórica nem económica.
Onde nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos
e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe média e
beneficiar a alguns.

Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas podem
ser 'compradas', sem se fazer qualquer exame.
Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está
sentada finge que dorme para não dar-lhe o lugar.
Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão.
Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a criticar os
nossos governantes.

Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de trânsito para não ser multado.

Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português,
apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim,
o que me ajudou a pagar algumas dívidas.

Não. Não. Não. Já basta.

Como 'matéria prima' de um país, temos muitas coisas boas, mas falta muito
para sermos os homens e as mulheres que nosso país precisa. Esses defeitos,
essa 'CHICO-ESPERTERTICE PORTUGUESA' congénita, essa desonestidade em
pequena escala, que depois cresce e evolui até converter-se em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade humana, mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, é que é real e honestamente ruim,
porque todos eles são portugueses como nós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui,
não em outra parte...

Fico triste. Porque, ainda que Sócrates fosse embora hoje mesmo, o próximo
que o suceder terá que continuar trabalhando com a mesma matéria prima
defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. E não poderá fazer nada... Não
tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas enquanto alguém
não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos
como povo, ninguém servirá. Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não
serviu Cavaco, e nem serve Sócrates, nem servirá o que vier. Qual é a alternativa?

Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e
por meio do terror?
Aqui faz falta outra coisa.
E enquanto essa 'outra coisa' não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos
igualmente condenados, igualmente estancados....igualmente abusados!

É muito bom ser português. Mas quando essa portugalidade autóctone começa a
ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação,
então tudo muda...
Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um
messias.

Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nada
poderá fazer. Está muito claro... Somos nós que temos que mudar.
Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a nos acontecer:
desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e francamente
tolerantes com o fracasso. É a indústria da desculpa e da estupidez.
Agora, depois desta mensagem, francamente decidi procurar o responsável,
não para castigá-lo, senão para exigir-lhe (sim, exigir-lhe) que melhore seu
comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido. Sim, decidi
procurar o responsável e ESTOU SEGURO QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO
ESPELHO. AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO EM OUTRO LADO.

E você, o que pensa?.... MEDITE!

EDUARDO PRADO COELHO

publicado por Jneo às 20:14
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|
3 comentários:
De Joel a 16 de Outubro de 2007 às 23:35
Pois é...., a matéria. Essa matéria que faz uma nação.
Maquinada e distorcida por essas ferramentas modernas, egoísmo, poder e inveja. Espero que ainda estejamos a tempo de recuperar as ancestrais forjas, onde ela tomava a forma e enrijava com a força do génio e a vontade dos homens.

inté
De Jneo a 21 de Outubro de 2007 às 10:53
Não seria de esperar outra coisa que não estas palavras certas e profundas do Big BIG Friend JJoel.
Aquele Enorme Abração (do tamanho da nossa imensa amizade...)

jNeo
De JFerreira a 21 de Outubro de 2007 às 10:57
Aí está

Está tudo dito. Por acaso já tinha lido este artigo.

O problema é que se calhar 99% as pessoas que lêem o artigo estão totalmente de acordo.

o senão... é que quase ninguém tem espelhos em casa... ou são de fraca qualidade. E se calhar a começar pelos nossos.

Não é fácil mudar mentalidades de muitas décadas... mas vale a pena tentar(mos).

Espero que esteja tudo pelo melhor contigo, amigão e com as tuas novas “andanças” como emprego, modo de vida, etc

Desculpa por vezes não escrever muito, não tem desculpa, mas continuo sempre com os amigos.


Força aí
JF

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